Quem está abrindo uma empresa costuma concentrar toda a energia no produto, no cliente e no caixa. A parte contratual fica para depois, tratada como algo que "se resolve quando der tempo". O problema é que, sem esses documentos, o negócio opera exposto desde o primeiro dia, mesmo que o empresário ainda não tenha percebido isso.
Separei os cinco contratos que mais fazem falta quando um novo negócio decide se formalizar, e o motivo pelo qual cada um deles resolve um risco específico.
1. Contrato Social ou Acordo de Sócios
Se o negócio tem mais de um sócio, o contrato social, arquivado na Junta Comercial, cuida da parte formal, mas raramente detalha a relação entre os sócios no dia a dia. Para isso existe o acordo de sócios: um documento complementar que define regras sobre saída de sócio, divisão de responsabilidades, decisões que exigem consenso e o desfecho de um desentendimento grave.
A ausência desse acordo é uma das causas mais comuns de disputas societárias no Brasil, porque o contrato social, isoladamente, não cobre situações como divergência de visão estratégica ou saída não planejada de um dos sócios. Ter os dois documentos alinhados evita que uma sociedade só descubra suas próprias regras no meio de um conflito.
2. Contrato de Prestação de Serviços
Todo negócio que vende serviço, ou que contrata terceiros para prestar serviço a ele, precisa desse contrato. Ele define escopo, prazo, forma de pagamento, critérios de rescisão e responsabilidades de cada parte. Sem ele, ou com um modelo genérico baixado da internet, fica difícil comprovar o que foi combinado quando surge qualquer divergência sobre entrega ou pagamento.
Tratei desse contrato em detalhe no artigo Contrato de Prestação de Serviços: as cláusulas que faltam na maioria dos modelos prontos, incluindo as cláusulas que costumam ficar mal resolvidas nos modelos prontos. Vale a leitura antes de assinar, ou renovar, qualquer contrato desse tipo.